domingo, 15 de outubro de 2017

europa dos pequeninos


dos povos há uma esperança que defina
um qualquer mistério que divide
dois rios que se cruzam e misturam
as águas lamacentas dos desejos
e chuvas de ódio espirradas.

há prisões por dentro da cidade
consciências que perdem o atino
famílias zangadas com o ninho
e vilões a roubar sonhos antigos 
na vaidade ...
como se a história fosse um conto de embalar.

inocências perdidas desde sempre
quando sombras emergem de nevoeiros
e barcos encalhados perdem o rumo dos instintos
sem porto que segure os seus destinos.

domingo, 8 de outubro de 2017

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

momentos

há estrelas no céu
a derramarem ilusões.

sobre o banco de jardim
a noite é um manto fino.

por momentos sentei-me
a ocupar o vazio do lugar.

e aquele jardim encheu-se
a ouvir-nos conversar.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

sais de prata



tacteio a branca espuma do teu nome
qual súbita lágrima no areal
húmida de paixão
enrolo ao teu rosto em espelho de água mergulhado
onde
sobressaem duas estrelas fixadas
na superfície prateada do objecto amado.

e todo o nosso mundo corre neste pequeno mar 
doce e salgado
e sobressai
a imagem ondulante com teus olhos revelados.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

...

crepúsculo
entre o fim e o início
(ou o início do fim).

lusco-fusco 
(ou limbo)
onde toda a luz é mistério.


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

todos os nomes

Sei todos os teus nomes
Esses, desde as origens
Que a Terra e os Homens
Te deram. E és onde hábito
A minha Festa e o meu Vinho:
Pátria, Mátria, Povo, Chão!


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

chão queimado

foto DR


esta espera 
quais vinhas plantadas
de bagas doces amanhadas

este verão
com ventos de fogo e criminosa mão

esta vida
na cinza do ninho, da cria já morta ainda sem aprendizagem do voo

este mundo
fábrica de todos os perigos
com seres velhos e novos perdidos

esta desolação 
paisagem dum cemitério de sonhos
tanto o cansaço cíclico da visão.