quarta-feira, 15 de março de 2017

vendaval

eu era o que não sou
num outro momento
no tempo que passou.

era um pouco menos
na idade do lamento
mas um pouco mais
em sonhos de vento
(vendaval de tantos ais).


rasto perdido

desesperadamente...

os olhos fechados

as mãos estendidas
os lábios salgados
e a boca sem pão
e o rasto do medo
a querer chegar
até... 
frente a tanto mar
silenciosamente ...

naufragar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

súbdito


zumbido voo que alinha
no caminho da colmeia
trazes o mel como obreira
e no teu corpo pequenino
o incomensurável destino
de não chegares a rainha.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

granizo

Tentei olhar o mundo de fora para dentro e, por mais que essa visão se misturasse na minha obstinada percepção, mais confusa era a minha solidão.

Ao meu lado,  converava-se banalidades culinárias, como quem cozinha passados, na mais pura distração dum qualquer momento de inspiração.


Fechar-me por dentro não foi solução: senti-me um prisioneiro, onde tudo me despertava liberdade.


E a chuva banhava o asfalto, em saraivadas soltas e raras, para minha contemplação.


poderá ser-se livre, como o granizo, no meio da multidão?





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ser...

ser...

quero o silêncio pelo meio
entre o que foi e há-de ser

quero um outro amanhecer
com um sorriso em teu seio

quero também sentir o vento
e me deslumbrares em marés

e se não for pedir muito, o alento
de seres aquilo que és.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

a última vaga


ao sabor dos ventos
corri os céus 
despertei o mar
criei auroras
no olhar

e na ilha dos amores
poisei no areal dos desejos
onde aguardo a última vaga.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

chuva no olhar

cai a chuva miudinha 
rios de gotas estendidas
na janela da vizinha

e as ilusões perdidas 
espreitam pela vidraça 
ao olhar de quem passa.