quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

*os ingratos*



"- não me demito, mas...admito!"

e agora...?
o que vais fazer
e com que botas
te vais mexer?

que caminho é esse, 'amigo',
sem as alcatifas do poder?

nas tuas mãos de pássaro
sangram vontades feridas.

triste álvaro.

foste guerreiro preso ao atol
com armadura de sombras
sem saberes onde morava o sol.

e é dos teus passos perdidos
que de pedras encho meus bolsos.

que fazes agora?

LM_04.jan.2018


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

devaneio

*devaneio*

no meio do caminho, onde a aranha lança o fio, há um lençol de poemas presos ao olhar de quem os lê.

mas, doutros fios, doutra lã, aqui 
(não por mim...) nascem letras (in)tocáveis na pouca firmeza do aparo e caiem sobre a folha 
rabiscos, qual bailado de pássaro
sem palco e sem audiência.

e toda a escrita é um rasto 
de linguagem (im)perceptível.

o que era uma ideia a descer 
dum turvo olhar, não chega a ser horta ou lavra, para semear/germinar um qualquer lugar.

um devaneio ou um simples lastimar, ou ainda, um velho barco encalhado, a sonhar fazer-se ao mar.

e o pálido luar é uma prisão de sombras e escuridão em águas, a afundar.

nem o pensamento que lhe deu origem, nem o vazio da mão,
encontra qualquer sentido, ou razão.

e, o que parecia um poema,  perde-se na aprendizagem da sua própria criação.

LuísM_14.12.2017

....

há letras nascentes 
que se juntam aos pares
onde o olhar desce
sobre a palavra 

das montanhas 
os riachos e cascatas
sonham viagens, longe
no sentido do verbo

e, se ao mar chegar
o mundo mudará
a cada gota.

LM-25.11.2017




sábado, 9 de dezembro de 2017

enquanto sou



*enquanto sou*

...ainda aqui
sempre aqui...
ao teu lado
amor amado
até ao fim...
até que o sol brilhe em mim!

LuísM_09.12.2017


domingo, 3 de dezembro de 2017

a marear este barco...

foto luís castanheira


*a marear este barco ....*

não posso sentir o que não sinto
mentir sobre o que não sei se minto
mas posso dizer-te que ao perder-te
caso fosse esse o meu/nosso destino
não sei se em mim haveria o alento
de servir, boleando tanto vento
e continuar a navegar com algum tino.
por isso, e outro tanto, meu amor
faz com que o tempo seja nosso
por inteiro e haja nos teus olhos
o brilho raiado que se prende à minha mão.

LuísM_03.12.2017 (manhã)

......

nota:
um barco à vela vai para onde o vento o levar, a menos que ande à bolina. 

Em termos náuticos, navegar à bolina, bolinarou velejar de contra-vento é marear (ou seja, navegar) com vento afastado o máximo 6 quartas da proa (± 45 graus). É uma técnica empregada por embarcações que consiste em ziguezaguear contra o vento, o que permite navegar por zonas onde o vento não é favorável.[1][2]

As primeiras embarcações que se têm notícia a utilizar esta técnica com sucesso são as caravelas portuguesas,[3] durante a Era dos Descobrimentos marítimos.[4][5]

O termo bolina é empregado no Brasil como sinónimo de patilhão

in: wikipedia

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

caravelas

*caravelas*

(Pátria.Raínha.Terra.Sonho.

A. Navegar.Mar.Em.Portugal)

canto-te, Pátria minha

na alvorada das horas
tu que nasceste Rainha
entre silvas e amoras

na Terra a desbravar

entre serras e mar
um Sonho A realizar:
oceanos a Navegar.

e o Mar se fez sonhar

Em nome de Portugal.

LuísM_29.11.2017



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

das mãos

a lengalenga das mãos

Istvan Sandorfi

Eu podia pegar nas tuas mãos e dizer-te palavras bonitas e sei que elas já não significam nada. [...] , 

in: http://olharemtonsdemaresia.blogspot.pt/2017/11/a-lengalenga-das-maos.html?m=1

......
(sobre o poema acima, a inspiração)

*das mãos*

com as mãos
se faz e se desfaz
a guerra e a paz.

e das mãos
que acariciam
despertam
e guiam
há mãos estendidas
mãos de emoções
de linguagem
e de esperanças perdidas.

com as mãos
se faz o pão
da virtude
do pecado
e do perdão. 


LuísM - 20.nov.'17



quarta-feira, 15 de novembro de 2017

achamento

"só sei que nada sei"
confúcio

*achamento*

a descoberta
aos olhares
coberta

do que estava
além-mar
e meta

antes sonho
(ou visão) e 
fim medonho

caravelas 
cegas
de vento e velas

e terras
povos
e guerras

e a religião
arma
da expansão

da conquista
e da escravidão

há quem veja
civilização...

ainda 
como outros
não pedimos perdão.