domingo, 30 de julho de 2017

recomeçar

às vezes basta uma vez
duas...talvez três
para errar outra vez.



holograma (1)

quisera tão só ser o momento 
que não o do desprendimento

quisera emergir o tacto 
prender
reter
absorver
e conservar
em boião de olfacto
a noite de luar

quisera...
mas o céu fez-se chama
e o ar que me tocou
era um holograma
que passou.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

o ar que respiro

hoje é um bom dia para estar contigo.

a natureza molda a minha própria natureza
e o círculo é a mais perfeita existência
onde a história se grava.

direi que é de tal forma a arte
da vida
que qualquer árvore nos ensina 
o espaço que habita.

por isso
hoje limitar-me-ei a respirar a tua presença.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

do lado da espera

navegar o olhar
nos barcos
a partir ou a chegar...
e todo o sonho no horizonte da mão
e as marés no cais a escrever
a espuma do pão.

e tanto é o mar
meu amor
a nos separar.

quando regressares
ai, molharei os pés
nas lágrimas guardadas
cristalizadas
para te abraçar.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

paranóia


dão-nos o medo em catadupa
servido às horas de refeição
e das desgraças fazem sermão
como se a vida fosse uma puta.

servem desgraças pela televisão
em pratos frios de condenados
e os directos são tão suados
que até faz pena serem o que são.

tombam os dias e as noites vão
e em cada hora que a morte rola
de pé p'ra mão há logo ali grande filão.

constuimos castelos de aflição
com muros altos até aos céus
e não contentes pomos os véus
para não vermos tal invasão.

e quando à rua pomos o pé
temos na pele o estranho cheiro
de não sabermos o que é que é.

(cobertura noticiosa, em Paris)


terça-feira, 25 de abril de 2017

servidão

todo o amor é entrega
mas
por vezes
dão-nos a camisa
e constipamo-nos
outras
roubam a nossa
sem precisão.

e a liberdade
também se dá?
onde começa e acaba
sabe-se lá...!

sei que se conquista
com ganhos e perdas
nunca nas esperas.

por isso
não desesperes
faz aquilo que outros
por ti não farão:
liberta-te da servidão.

quarta-feira, 15 de março de 2017

vendaval

eu era o que não sou
num outro momento
no tempo que passou.

era um pouco menos

na idade do lamento
mas um pouco mais
em sonhos de vento
(vendaval de tantos ais).