quinta-feira, 15 de junho de 2017

o ar que respiro

hoje é um bom dia para estar contigo.

a natureza molda a minha própria natureza
e o círculo é a mais perfeita existência
onde a história se grava.

direi que é de tal forma a arte
da vida
que qualquer árvore nos ensina 
o espaço que habita.

por isso
hoje limitar-me-ei a respirar a tua presença.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

do lado da espera

navegar o olhar
nos barcos
a partir ou a chegar...
e todo o sonho no horizonte da mão
e as marés no cais a escrever
a espuma do pão.

e tanto é o mar
meu amor
a nos separar.

quando regressares
ai, molharei os pés
nas lágrimas guardadas
cristalizadas
para te abraçar.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

paranóia


dão-nos o medo em catadupa
servido às horas de refeição
e das desgraças fazem sermão
como se a vida fosse uma puta.

servem desgraças pela televisão
em pratos frios de condenados
e os directos são tão suados
que até faz pena serem o que são.

tombam os dias e as noites vão
e em cada hora que a morte rola
de pé p'ra mão há logo ali grande filão.

constuimos castelos de aflição
com muros altos até aos céus
e não contentes pomos os véus
para não vermos tal invasão.

e quando à rua pomos o pé
temos na pele o estranho cheiro
de não sabermos o que é que é.

(cobertura noticiosa, em Paris)


terça-feira, 25 de abril de 2017

servidão

todo o amor é entrega
mas
por vezes
dão-nos a camisa
e constipamo-nos
outras
roubam a nossa
sem precisão.

e a liberdade
também se dá?
onde começa e acaba
sabe-se lá...!

sei que se conquista
com ganhos e perdas
nunca nas esperas.

por isso
não desesperes
faz aquilo que outros
por ti não farão:
liberta-te da servidão.

quarta-feira, 15 de março de 2017

vendaval

eu era o que não sou
num outro momento
no tempo que passou.

era um pouco menos

na idade do lamento
mas um pouco mais
em sonhos de vento
(vendaval de tantos ais).


rasto perdido

desesperadamente...

os olhos fechados

as mãos estendidas
os lábios salgados
e a boca sem pão
e o rasto do medo
a querer chegar
até... 
frente a tanto mar
silenciosamente ...

naufragar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

súbdito


zumbido voo que alinha
no caminho da colmeia
trazes o mel como obreira
e no teu corpo pequenino
o incomensurável destino
de não chegares a rainha.